fbpx

Claudia Andujar, Abaporu e De La Soul: as referências visuais de AmarElo, do Emicida

Compartilhe

Share on facebook
Share on linkedin
Share on twitter
Share on email
Foto de Claudia Andujar que estampa a capa de AmarElo, do Emicida

Ainda no clima da estreia do documentário “AmarElo – É Tudo Pra Ontem”, do Emicida, que estreou na Netflix nesta terça (8), o Capa do Disco destrincha, junto com o desinger gráfico e um dos responsáveis pela identidade visual do projeto Marcelo Lima, a capa do AmarElo, lançado em 2019. ⠀

Terceiro álbum de estúdio do rapper paulistano, AmarElo traz como capa uma foto da fotógrafa suíça e ativista do movimento indígena Claudia Andujar, exibida mais recentemente na exposição “A Luta Yanomani“, no Instituto Moreira Sales (IMS-SP) em 2018.

“Muitas pessoas perguntam sobre o disco se chamar Amarelo e não ter amarelo na capa. Achamos que seria muito óbvio. A ideia é ter todas as cores porque todas as cores são importantes. Se não houvesse as outras cores, não haveria o amarelo, e vice-versa”

marcelo lima
Estudo visual para AmarElo

“A gente não queria mexer diretamente na foto, porque ela em si é muito forte. Por isso a trouxemos numa parede branca, pra ela ser protagonista. A foto é de 1974, mas é muito atual e ganha ainda mais força no momento político que vivemos agora, da situação de total negligência dos direitos dos povos indígenas pelo governo”, explica Marcelo. ⠀

Para a elaboração de identidade visual do AmarElo, tanto nos encartes do disco quanto nas peças de divulgação, Marcelo e o designer Lucas Rodrigues trabalharam com as cores da bandeira do Brasil, extraídas do quadro Abaporu (1928), da pintora modernista Tarsila do Amaral.

Abaporu, tela de Tarsila do Amaral de 1928

“Além do verde, amarelo e azul, usamos o laranja, que está dentro do quadro e é a cor da pele do povo. E também é a cor da terra”.⠀

Marcelo Lima
Um dos estudos sobre a linguagem visual foi baseado na desconstrução da bandeira do Brasil

A tipografia escolhida para o projeto foi a Cooper Black, uma fonte de 1929, super usada no mundo inteiro, em específico em muitas obras da música negra mundial, de discos do Stevie Wonder a Tyler, The Creator. Uma maneira que os artistas encontraram de linkar o disco com o movimento racial global. ⠀

Outro aspecto que demonstra o diálogo de AmarElo com a cultura negra internacional é a conexão entre a sua capa e a do Stakes is High (1996), disco do grupo norte-americano De La Soul.

Stakes is High, do De La Soul, de 1996

Ouça AmarElo aqui:

Leia mais sobre outras capas de disco da música brasileira aqui.